segunda-feira, 26 de setembro de 2016

SS. AA. RR. presentes no lançamento da moeda D. Catarina de Bragança na Academia Militar

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Esta é a terceira moeda de colecção da série de moedas “Rainhas de Portugal” produzidas pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

Na passada quarta-feira, dia 14 de Setembro, deu-se o lançamento da moeda D. Catarina de Bragança. A moeda, de liga de cuproníquel, tem o valor facial de 5€ e já se encontra em circulação desde o dia 13 de Setembro de 2016. A distribuição ao público será efetuada por intermédio das instituições de crédito e das tesourarias do Banco de Portugal. Existem também as versões em ouro e prata com valores a rondar os 900€ e os 50€, respectivamente. 
O evento que ocorreu pelas 16 horas na sede da Academia Militar (AM), contou com a presença do Exmo. Comandante da Academia Militar, Major-General João Jorge Botelho Vieira Borges, com o S.A.R. Dom Duarte Pio de Bragança, com o Presidente da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Dr. Rui Carpe, e do Professor Doutor Ferreira do Amaral que fez a apresentação da moeda.
D. Catarina de Bragança, foi Rainha Consorte do Reino de Inglaterra aquando do casamento com o rei D. Carlos II em 1662. Em 1685 enviuvou, regressando mais tarde a Portugal, em 1693. Já em terras nacionais, a Rainha instalou-se no Palácio da Bemposta onde são hoje as instalações da sede da AM, daí ter sido este considerado o local ideal para o evento.

A colecção “Série de Rainhas” conta já com a moeda D. Leonor de Portugal, lançada em Setembro de 2014 e com a moeda D. Isabel de Portugal, lançada em Junho de 2015. Está ainda previsto, para 2017, o lançamento de uma quarta e última moeda que terminará esta colecção.
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domingo, 25 de setembro de 2016

Fundação D. Manuel II negocia cooperação para difusão da língua portuguesa em Timor

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Considerando a necessidade de bons programas pedagógicos em Língua Portuguesa para a Televisão de Timor a Fundação D. Manuel II negociou um acordo de cooperação entre a Fundação Padre Anchieta, do Governo do Estado de São Paulo, e a TV Timor. Esta Fundação é proprietária da TV Cultura, considerada uma das melhores televisões pedagógicas do mundo. No dia 12 de Setembro terá lugar a assinatura do protocolo ente o Governador do Estado de São Paulo, Dr. Geraldo Alckmin e o Embaixador de Timor-Leste, Gregório Sousa, na presença do Príncipe Dom Gabriel de Orleães e Bragança, em representação da Fundação D. Manuel II, e do Dr. Durval de Noronha Goyos, Director da Fundação Padre Anchieta. O Dr. Noronha Goyos foi, em colaboração com S.A.R. o Senhor D. Duarte de Bragança, o principal responsável pela concretização deste programa destinado à difusão da língua portuguesa em Timor. Esperamos que em breve esta cooperação possa ser estendida às televisões de outros países da CPLP.

Fonte: Casa Real Portuguesa

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Dom Duarte de Bragança entrega Prémio Infante D. Henrique em Torres Vedras



Dezanove alunos da Escola Internacional de Torres Vedras (EITV) receberam das mãos de Sua Alteza Real D. Duarte Pio, do Dr. Carlos Bernardes, Presidente da Câmara de Torres Vedras e do Director da EITV, Engº Eduardo de Castro os Diplomas nas categorias Bronze e Prata do Prémio.
“Numa era conturbada em que os valores da ética e da formação moral e cívica dos nossos jovens são postos à prova, onde as oportunidades para uma efectiva realização pessoal são muitas vezes escassas, procuramos, através deste programa de actividades voluntárias e não competitivas, incentivar e reconhecer o mérito, a dedicação, a autoconfiança e a perseverança dos jovens participantes”, disse D. Duarte Pio na sua intervenção.
“Sendo a Educação um vetor estratégico da Câmara Municipal de Torres Vedras, foi com enorme prazer que acolhemos na nossa cidade a entrega dos prémios Infante D. Henrique”, disse Carlos Bernardes, Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras. ”O reconhecimento do mérito e da excelência aos alunos e professores da Escola Internacional vem contribuir, de uma forma integrada, para aprofundar o conhecimento e o modelo de cidadania ativa, da comunidade”, concluiu.
Por sua vez, o Diretor da EITV referiu que: “ao abraçar os desafios que lhe foram lançados pelo Prémio Infante D. Henrique procurou, poder proporcionar aos seus alunos, uma certificação de excelência, no domínio das Atitudes e Valores, competências estas que garantem um melhor desempenho pessoal e a construção de soluções de vida mais sustentadas; Incentivamos assim a imaginação na procura de soluções e a paixão pelo empreendedorismo; Combatemos o imobilismo e tentamos corresponder com empenhamento na construção de uma educação de qualidade. Na EITV, como no Prémio, acreditamos na Ética, na Inovação, na Tecnologia e nos Valores como fatores de diferenciação e desenvolvimento”, concluiu agradecendo a todos o empenhamento e dedicação que tanto prestigiam o Prémio e a Escola.
Para os alunos agraciados, a apreciação global é a de terem vivido “uma experiência sem igual, por nos ter permitido o contacto com o meio ambiente na sua interação mais directa, com a plantação de árvores e assim contribuirmos com o reflorestamento para o equilíbrio do meio ambiente” Para Maria Fernandes, Paulo Renato, Diogo Pereira, Duarte Brás e Ismael Santos, “fica ainda a experiência de interação entre grupo, com partilha de saberes, vivências e sem faltar o auxílio nas várias etapas realizadas.
Já Catarina Ferreira, Eduarda Santos, Mariana Francisco, Marta Dias e Sara Smith consideram “trazer desta aventura várias histórias inesquecíveis e também educativas pois é a partir dos nossos erros que aprendemos, e foi através desta realidade tão crua a que fomos expostos que nos apercebemos das nossas reais aptidões. Voltaríamos a fazer tudo de novo sem hesitar e agora só paramos quando tivermos a medalha de ouro na mão.”
Dom Duarte de Bragança entrega Prémio Infante D. Henrique em Torres Vedras

A categoria Bronze destina-se a jovens a partir dos 14 anos e a categoria Prata a jovens a partir dos 15 anos. Três monitores responsáveis pela formação destes jovens, Rita Santos, François Bartolomeu e Catarina Corredeira, receberão o Certificado de Reconhecimento pelo serviço prestado como Monitores Voluntários da Associação do Prémio Infante D. Henrique, no acompanhamento, orientação e instrução, de um grupo de jovens participantes da EITV.
A cerimónia decorreu no Auditório do Edifício dos Paços do Conselho, em Torres Vedras, a 16 de Setembro passado, e representa o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pela Escola Internacional de Torres Vedras através do funcionamento com o programa do Prémio, junto dos jovens promovendo competências essenciais para as suas vidas futuras tais como persistência, compromisso, iniciativa, responsabilidade e desenvolvimento pessoal e social no período em que desenvolveram o Programa.
O Prémio assume crescente relevância ao atribuir valor ao curriculum vitae dos Jovens, como testemunho da sua preparação para os desafios profissionais e pessoais pela aquisição das necessárias competências.
O Prémio Infante D. Henrique é a versão portuguesa do “The Duke of Edinburgh’s International Award”, fundado em 1956 pelo Duque de Edinburgo. Em 1988, no Porto, Dom Duarte, Duque de Bragança, fundou a versão portuguesa, que adotou o nome Prémio Infante D. Henrique.
O Programa subjacente ao Prémio visa o desenvolvimento pessoal e social de atividades voluntárias e não competitivas, destinado a jovens entre os 14 e os 25 anos, encorajando-os a desenvolverem-se como cidadãos ativos, participativos, com uma contribuição positiva na sociedade e preparando-os com experiências de vida para marcar a diferença com eles próprios, as suas comunidades, e o mundo.
É um programa nacional e internacional que reconhece os jovens por aquilo que fazem: participando num serviço à comunidade e aprendendo a prestar um serviço, os jovens são incentivados a apoiar o próximo; praticando um desporto, adquirem um desenvolvimento físico e hábitos desportivos; passando pela secção de talentos, descobrem novas facetas em si ou simplesmente adquirem experiência profissional tão necessária nos dias de hoje; e na secção aventura, considerado um teste à sobrevivência, realizada em grupo e onde se destacam as qualidades de liderança, responsabilidade e maturidade.
Sendo um Prémio de candidatura livre, os alunos candidatos deverão, contudo, frequentar uma escola certificada para tal. Para que estas se possam candidatar, são desenvolvidas ações de formação, podendo as Escolas interessadas e os seus Professores, inscreverem-se na próxima formação, directamente para a Associação do Prémio Infante D. Henrique ou ainda através da página na internet.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

300 anos do Patriarcado de Lisboa



O Cardeal-Patriarca de Lisboa disse hoje que as comemorações dos 300 anos da qualificação patriarcal da Diocese de Lisboa vai ser assinalado com publicações sobre três séculos de história, concertos e o encerramento do Sínodo Diocesano. Para D. Manuel Clemente, o encontro que “terá mais consistência na vida diocesana” será o encerramento do Sínodo Diocesano, que reunirá 137 delegados de 30 de Novembro a 4 de Dezembro, no Turcifal. “O momento sinodal não vale por si. É o momento canónico de um caminho que começou em 2014, quando milhares de católicos da diocese de Lisboa em centenas de grupos foram refletindo os cinco capítulos da exortação ‘A Alegria do Evangelho’”, afirmou o cardeal-patriarca de Lisboa hoje em conferência de imprensa. O “movimento sinodal” que a reflexão dos grupos originou e o “sentido missionário” que criou, “recuperando a velha legitimação do patriarcado”, são para D. Manuel Clemente os “dois frutos” principais do Sínodo Diocesano que decorreu em Lisboa nos últimos três anos, quase 400 anos após o anterior, realizado em 1640. O Sínodo Diocesano envolveu mais de 20 mil pessoas que analisaram, em 1000 grupos, os cinco capítulos da exortação do Papa Francisco “A Alegria do Evangelho” e fizeram propostas para o documento de trabalho que vai ser debatido e votado na Assembleia Sinodal.

Os 300 anos da qualificação patriarcal da Diocese de Lisboa vão ser assinalados também com o musical “Partimos. Vamos. Somos”, nos dias 18 a 20 de Novembro, encenado por Matilde Trocado, e Concertos no Teatro Nacional São Carlos, nos dias 24 e 25 de Novembro. A publicação das Cartas Pastorais dos Patriarcas de Lisboa, da histórias dos bispos anteriores a 1716 e a exposição sobre os três séculos do Patriarcado de Lisboa são iniciativas que evocam “a memória” da Igreja Católica em Lisboa. 

As referências ao cristianismo na região de Lisboa remontam à viragem do século III para o século IV, sendo mais precisas no século VII a respeito da participação dos bispos de lisboetas nos vários concílios, desconhecendo-se o dinamismo católico durante o domínio muçulmano entre os séculos VIII e meados do século XII. A reconquista e posterior expansão missionária marcou um novo dinamismo católico, em torno de congregações religiosas, escolas e centros culturais, que empreenderam, até ser elevada a metrópole eclesiástica em 1393, sendo seu primeiro arcebispo D. João Anes. Em 1716, o papa Clemente XI concedeu a qualificação patriarcal à diocese de Lisboa, primeiro o título basílica patriarcal à capela real, ficando a antiga diocese dividida em duas até 1740, ano em que foi reunificada. O título patriarcal dado a Lisboa apenas repartido com Veneza, tendo Lisboa 17 patriarcas na sua história, desde D. Tomás de Almeida a D. Manuel Clemente, sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cinco de Outubro e D. Manuel II – Histórias e Ficções

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A Real Associação de Lisboa promove no próximo dia 1 de Outubro pelas 15:30 (Sábado) na Academia da Estrela sita na Rua do Quelhas, 32 – Lisboa, o debate “Cinco de Outubro e D. Manuel II – Histórias e ficções” que colocará em confronto duas sensibilidades distintas de dois conhecidos jornalistas da nossa praça sobre a revolução republicana: pelo lado azul e branco a de Nuno Galopim, autor do “Manuel II – Os últimos dias do Rei” um romance histórico recentemente lançado; e pelo lado verde-rubro, a de Fernando Madail, autor do romance “A Costureira sem cabeça”, uma recriação da implantação da República contada por imaginários “dizeres do povo”.
Nuno Galopim começou por traçar um futuro nas ciências, mas o jornalismo, a rádio e, sobretudo, a música e o cinema acabaram por falar mais alto. Com 27 anos de carreira nos media escreve hoje no Expresso, Blitz, Metropolis e é autor dos blogues Sound + Vision e Máquina de Escrever. É o autor dos livros Retrovisor: Uma Biografia Musical de Sérgio Godinho (2005), Os Marcianos Somos Nós (2015) e The Gift – 20 (2015) e colaborou na Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa. Os Últimos Dias do Rei é a sua primeira obra de ficção.
Fernando Madaíl nasceu em 1962. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, área que trocou pelo jornalismo. Jornalista desde 1980, colaborou em vários órgãos de comunicação, de que se destacam O Tempo, Diário de Coimbra, O Jornal de Coimbra ou O Jogo e o Diário de Notícias. É autor da biografia Fernando Valle – Um Aristocrata de Esquerda, publicada em 2003. A Costureira sem Cabeça é o seu primeiro romance.
Para mais esclarecimentos e inscrições contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa Sede nos horários habituais.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Fachada poente a precisar de Ajuda

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Ficou hoje a conhecer-se mais um dos muitos projectos apresentados para o remate da fachada poente daquele que é o maior e mais imponente edifício público da capital portuguesa.

Dispensando quaisquer comentários a respeito do gosto ou desgosto que os esboços mostraram, esta construção, mesmo com o previsível isco dos fundos do Turismo e da apresentação em exposição permanente das muito desfalcadas Jóias da Coroa, não pode ser iniciada sem a prévia consulta a quem mais interessa, ou seja, os habitantes de Lisboa. 

O Palácio da Ajuda não é uma construção da qual se possa dispor à la carte. Desde que se ergueu tem sido uma sede de  poder, seja ele o monárquico ou o republicano. Nele se pavoneiam vaidades na recepção do corpo diplomático e ali se inauguram presidências e governos, por muito efémeros que sejam. É um local emprestado pela nossa história, um eco de um passado relativamente glorioso. Aqueles brilhos dos adamascados e dourados, as pratas e porcelanas, as pinturas e tapeçarias, os bibelots assinados, os torneados do mobiliário daquela mescla de estilos, o bric-a-brac de Dª Maria Pia de Sabóia, impressiona os nacionais e os estrangeiros. Não é nenhuma novidade, aquela colecção marcou uma época e por milagre praticamente íntegra - apesar dos acontecimentos da 1ª república, da visita recolectora da aventureira com quem o infante D. Afonso se casou, da retirada de mobiliário e peças decorativas que o regime da 2ª república colocou em embaixadas -, é um cenário infinitamente superior em termos de prestígio e harmonia, a uma banal construção que qualquer um dos regimes que sucedeu ao ciclone de 1910, tenha erguido nas respectivas Expo.

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Poderá a entidade mais ansiosa, a Câmara Municipal, esgrimir argumentos a favor da "rápida conclusão de uma obra que já tarda e é urgente", mas estas atitudes em nada abonam quem decide e muito dependerá da confiança de uma população muito desconfiada por este inesperado inferno eleitoral de ciclovias, alargamento de passeios, demolições a eito e sem consulta, desrespeito pelo próprio inventário municipal e outras habituais habilidades comezinhas. Bem poderá então escudar-se atrás do MC e do Turismo, mas o protagonismo é totalmente seu, nada de manobras de ilusionismo. O protagonismo e o interesse.

O projecto existe há bastante mais de meio século e é da autoria do arquitecto Raul Lino que se manteve fiel à ínfima parte construída do risco original que a Ajuda teve nos finais do século XVIII e alvorada de oitocentos. O Palácio jamais foi concluído e será supérfluo inventariarmos as razões para tal incúria sobretudo devida às vicissitudes da política, às mudanças e de regime e à sempre latente penúria financeira. Anos após a sua concepção, Salazar, a braços com uma guerra em três frentes africanas e assoberbado pela construção da Ponte, não pôde dar andamento a este projecto que hoje, a ter sido concluído, já teria beneficiado da patine da passagem de meio século e muito provavelmente, com interiores a condizerem com a fachada. Seria parte da paisagem urbana. Não se fez, paciência, outros valores se levantaram, mesmo quando alguém teve a ideia de construir de raiz um Centro Cultural em Belém, nem sequer aproveitando o que já existia no alto do bairro lisboeta da Ajuda. Idem quanto ao Museu dos Coches, naquelas cíclicas, bastante oportunas para uns tantos e previsíveis derrapagens orçamentais que em muito lesaram o crédito e a respeitabilidade de quem decidiu e ordenou. Este é o país em que os cidadãos enviam cartas registadas aos governantes e estes, nada preocupados, nem sequer se dão ao trabalho de acusar a recepção. Foi o que sucedeu há perto de três décadas, quando do anúncio da construção do CCB e alguém lhes terá chamado a atenção para o aproveitamento da parte a reconstruir do Palácio da Ajuda. Pelos vistos, continuamos neste estranho caminho da surda arrogância. O mesmo se pode dizer a fundos esfumados, como aqueles deixados pela Sra. Reagan que também terá apreciado o potencial do edifício.

Mais próximo de nós, ainda está o embaraço nacional acerca da retirada russa da exposição do Hermitage na Ajuda, pois consideraram o palácio na sua secção poente, impróprio para a apresentação das periódicas colecções imperiais. Não valerá a pena o recurso a subterfúgios lava-faces, pois foi isto mesmo o que aconteceu.


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 Este edifício não pode ser mais um passageiro pasto de modas e vaidades. Não pode, é campo interdito. Bem vistos, os factos, este anúncio de surpresa é mais um exercício devanitas política embrulhada caprichosamente em argumentos apenas válidos, porque óbvios ao longo de mais de duzentos anos. O Palácio Real ou Nacional, como queiram, consiste num património que condensa a história de um século pleno de acontecimentos e que está recheado de uma inestimável colecção de época, embora, tal como as Jóias da Coroa, privada, como acima dissemos, de inúmeros elementos que a queda da Monarquia fez por vários meios sumir. Há que valorizá-lo e para isso podem e devem ser despendidas quantias necessárias que estimularão a criatividade, a arte de bem fazer, o labor dos artesãos nacionais e o interesse de uma miríade de pequenas e médias empresas de construção. A cultura não é despesa, por muitos fundos que nela se vertam sob supervisão e criteriosamente. Trata-se de um investimento e para mais, da garantia da identidade nacional que é pontilhada por um certo sentido de orgulho. 


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Os decisores podem pensar o que entenderem acerca das suas excelsas personalidades, mas não vivem num exclusivo Olimpo. Desçam à terra e procedam então a uma consulta popular que decida a viabilidade do projecto de Raul Lino ou a alternativa hoje apresentada. Num país onde a palavra mais usada pelos agentes da política é democracia! democracia! democracia!, do que que têm medo os senhores da nossa situação?


Nuno Castelo-Branco


domingo, 18 de setembro de 2016

Os santos também vão para o inferno

Não era médica, nem enfermeira, nem assistente social, mas mãe: a ‘madre’ Teresa de Calcutá. As suas casas não pretendem ser hospitais, nem centros sociais mas, para quem a não tem, casa de família.

Vai longe o tempo em que os santos iam para o céu; agora não, são condenados ao inferno. Não ao de Lúcifer, que está para além do limiar da morte, mas ao do desprezo social e da crítica mediática, onde pontificam outros belzebus, não menos sulfurosos, nem menos avessos à santidade cristã.
Assim foi, com efeito, o que agora aconteceu com a madre Teresa de Calcutá: ao mesmo tempo que o papa Francisco a canonizava, na praça de São Pedro, no passado dia 4 de Setembro, na presença de milhares de fiéis de todo o mundo, uma certa imprensa encarregava-se de fazer de advogada do diabo, denegrindo a memória da santa fundadora das missionárias da caridade. Desses infames ataques deu-se conta aqui, no Observador (Madre Teresa. A santa que nem todos aceitaram) bem como, no dia seguinte, no Público (Santa Teresa de Calcutá, um exemplo da Igreja para os pobres, de onde procedem as citações abaixo reproduzidas).
Tudo feito, claro está, em prol da ‘independência’ e ‘qualidade’ da informação, segundo o conhecido dogma jornalístico: não há bela sem senão. Portanto, uma reportagem sobre alguém, mesmo que seja um santo, tem que ter, em nome da isenção e objectividade, alguma nota negativa, mesmo que falsa. Caso contrário, talvez seja publicidade, mas jornalismo não é. Ou seja: mente-se, para que a notícia pareça mais verdadeira.
Uma recorrente acusação contra Santa Teresa de Calcutá é – pasme-se! – a sua pobreza. Um médico dessa cidade indiana, Aroup Chatterjee, lamentou, em livro da sua autoria, o que, muito significativamente, denomina “cultura da frugalidade”, seguramente porque desejaria o contrário, ou seja, a cultura da opulência. Pelos vistos, se há quem afirme que a Igreja é rica demais, também há quem a considere pobre em excesso.
S. Teresa de Calcutá é igualmente criticada por ter sido proselitista, pois queria “converter ao cristianismo os mais pobres dos indianos, maioritariamente hindus”. Que os queria converter, não há nenhuma dúvida, porque ninguém pode ser verdadeiramente cristão sem ter ânsia de partilhar a fé. Mas isso é evangelizar e não fazer proselitismo, que é o que fazem os agnósticos e ateus que pretendem impor as suas convicções.
Ao contrário do que se insinua, a madre Teresa nunca impôs a nenhum não-católico a sua fé, de que não era fanática mas sim coerente. Também nunca discriminou ninguém: embora tivesse toda a legitimidade para apenas acolher cristãos, a verdade é que as suas casas sempre estiveram abertas a todos os pobres mais pobres, sem distinção de credos ou de raças. Só assim se entende, precisamente, que se tenha estabelecido na Índia, onde, de facto, abunda a pobreza e os católicos são uma escassa minoria. Por certo, não consta que alguém, que tenha sido acolhido pela madre Teresa ou pelas suas religiosas, tenha sido forçado à conversão.
Também houve quem acusasse a fundadora das missionárias da caridade de não ter sido, na terra de Gandhi… o Che Guevara de sari! É o caso do fervoroso ateu que escreveu Hell’s Angel, um livro e documentário que, como o título indica, diaboliza a madre Teresa de Calcutá, de cuja virgindade até se atreveu, de forma infame, a duvidar. Christopher Hitchens censura-a por não ter lutado contra as causas da pobreza e por se ter aliado ao statu quo “ao instilar nos pobres a ideia de que a sua condição era permanente, em vez de lhes dar armas (sic) para procurar um futuro melhor”. Não é verdade, porque nas sociedades que promovem o aborto, a madre Teresa denunciou corajosamente esse silencioso genocídio, bem como a exploração das mulheres obrigadas a recorrer à contracepção.
Com certeza que o mundo estaria muito melhor se Teresa de Calcutá, em vez de fundar a congregação das pacíficas e sorridentes missionárias da caridade, tivesse criado um partido político revolucionário – um daqueles que falam muito nos pobres, mas que não fazem nada por eles, até porque acham que o voluntariado é uma treta – ou um exército de libertação – a eventualmente designar por guerrilheiras da caridade – que “desse armas”, em sentido literal, para o tão desejado “futuro melhor”! Pena é que Che Guevara e os seus camaradas, em vez do “futuro melhor”, tenham deixado um rasto de opressão e miséria, nos países onde implantaram a ditadura do proletariado.
Mas, não é verdade que as condições clínicas das casas da madre Teresa, nomeadamente no que respeita à assepsia, não eram as melhores? Vale a pena recordar, a este propósito, que a fundadora das missionárias da caridade não era a médica Teresa de Calcutá, nem a enfermeira Teresa de Calcutá, nem a assistente social Teresa de Calcutá, mas a ‘madre’ Teresa de Calcutá. Ou seja, as suas casas não eram, nem pretendiam ser, improvisados hospitais, ou centros sociais, que seriam, de facto, muito insuficientes mas, para quem o não tinha, o seu lar. Não em vão ‘madre’ significa, precisamente, mãe.
A madre Teresa não dava consultas de life coaching, não era mestra em autoajuda, nem prometia curas milagrosas. Mas dava colo a crianças que nunca o tinham tido, acarinhava velhos despejados no monturo das grandes cidades, sorria a quem só conhecia os esgares do desprezo e da indiferença, atendia os descartados, dava paz aos tristes e, até, alegria aos moribundos.
Haverá sempre quem não entenda a sublimidade da caridade, que é o principal mistério cristão, o mistério do próprio Deus. Embora a hipocrisia seja a homenagem que o vício presta à virtude, é lamentável o facciosismo de alguns. Não é preciso ser teólogo, nem cristão, nem crente sequer para reconhecer que a madre Teresa de Calcutá, mesmo não tendo seringas esterilizadas, soube dar, a milhares de pobres anónimos, o mais necessário e valioso curativo: o seu amor de mãe.
Fonte: Observador

sábado, 17 de setembro de 2016

Dom Carlos de Bragança – Rei e Lavrador

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Dom Carlos de Bragança, como filho primogénito do Rei Dom Luís I e na qualidade de príncipe herdeiro da Coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal e Duque de Bragança, recebendo aos 21 anos as propriedades do Morgadio da Casa de Bragança, ou melhor o usufruto dos rendimentos do ducado dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal.
Dom Carlos recebeu as propriedades hipotecadas, mas apesar de não possuir formação na área – impedido pela sua condição real, tornou-as lucrativas, prósperas e livres de qualquer penhor.
Era quando cruzava a Porta dos Nós do Paço Ducal de Vila Viçosa que El-Rei irradiava felicidade, pois o dever tornava-O num cidadão urbano à força, sempre nostálgico do bucolismo e com as raízes a chamarem-No à terra dos antepassados.
Assim juntando à especial capacidade para Reinar, aos dotes preclaros de uma inteligência cultíssima que se manifestava das mais diversas formas e talentos, El-Rei era, também um competentíssimo proprietário rural, conseguindo gerir de uma forma profissional as propriedades que recebeu em herança.
Era nas Suas propriedades alentejanas que Sua Majestade Fidelíssima estava nas suas sete quintas, despindo o uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei – e trajando como simples lavrador. Criou touros na herdade do Vidigal, em Vila Viçosa produziu vinho, cortiça, azeite, produtos reconhecidos cá dentro e além fronteiras como dos melhores que se produziam em Portugal, chegando a ser premiados, diversas vezes, internacionalmente.
Quando o Rei de 44 anos morreu, juntamente com o Príncipe Real de 20, tombados em serviço da Pátria e do Reino, às balas do terrorismo, em 1 de Fevereiro de 1908, no trágico episódio que ficaria conhecido na História de Portugal como o Regicídio – a Família Real Portuguesa regressava no Comboio Real precisamente das férias de Natal em Vila Viçosa -, Dom Carlos I de Portugal deixa em herança a Dom Manuel II um vastíssimo património livre de dívidas e um enorme conjunto de propriedades produtivas e lucrativas.
Miguel Villas-Boas

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Memória

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“O Rei só se justifica como Chefe livre de uma Nação livre. Para que ele possa ser livre, é imprescindível que a Nação o consagre em liberdade, ou por amor da liberdade, como aconteceu com El-Rei D. Afonso Henriques, El-rei D. João I e com El-Rei D. João IV.”
“Por força de uma sucessão dinástica a que me sinto completamente vinculado, achei-me perante deveres recebidos de meu Pai e dos Reis de Portugal, nossos antepassados, que a eles nunca se escusaram.”

“A Instituição Real explica-se por uma dádiva total ao País, para além da existência ou inexistência do Trono.”

Trechos da 1ª Mensagem de S.A.R. Dom Duarte Pio, em Março de 1977

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Alberto Sanches de Castro e o 1.º Voo Civil em Portugal

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Sanches de Castro – O 1.º Aviador Civil Português
Muito se tem falado em aviação nos últimos tempos, ora a pretexto de suposta paternidade da aviação civil portuguesa, ora pelo baptismo de aeroportos com nomes de personalidades. Por isso em abono da verdade e da realidade histórica cumpre tirar do baú da memória o 1.º voo civil realizado em Portugal e nome do seu autor, Alberto Sanches de Castro, e que o controlo histórico teimou em lançar no oblívio.
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Alberto Caetano da Silva Sanches de Castro conhecido por Alberto Sanches de Castro, embora nato em Lisboa, a 27 de Março de 1888, nasceu no seio de uma Família Monárquica natural do Minho, mais precisamente de Vila Nova de Cerveira, e era neto do Conselheiro Caetano Pereira Sanches de Castro, General, diplomado em Engenharia e Infantaria militar, que na arma de Engenharia desempenhou as mais honrosas comissões: membro da Comissão da Defesa de Lisboa e dos seus Fortes, algumas das famosas Linhas de Torres – tendo sido nomeado o seu Chefe em 1870. O General Caetano Sanches de Castro, em 1871 foi nomeado membro da Comissão incumbida de apresentar o Plano Geral das Obras de Melhoramento da Capital, sendo-lhe confiada pessoalmente a apresentação do Plano Geral das Obras de Defesa do Porto de Lisboa.Em 1873 foi nomeado Director-Geral das Fortificações e assumiu a Presidência da Comissão de Defesa. Elaborou, então, os Projectos, considerados excepcionais, das Baterias do Bom Sucesso, do Forte de São Julião da Barra e dos Redutos de Sacavém e Alto do Duque.
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Todas essas qualidades granjearam ao General Caetano Pereira Sanches de Castro, primeiro a nomeação como Secretário da Guerra e depois como Ministro da Guerra, em 1881, no reinado de S. M. F. El-Rei D. Luís I. Os Sanches de Castro eram Viscondes de Santo António de Lourido, em Vila Nova de Cerveira, sendo o irmão do Conselheiro General, o 1.º Visconde, Francisco Pereira Sanches de Castro, grande proprietário no Distrito de Viana de Castelo, Chefe de Secção dos Corpos de Fiscalização Externa das AlfândegasChefe de Distrito de primeira classe do Corpo da Guarda-fiscal e Provedor daSanta Casa da Misericórdia de Vila Nova de Cerveira e o 2.º Visconde – o sobrinho do 1.º e filho do Geenral Caetano – Francisco Pereira Sanches de Castro casado com Henriqueta Margarida Coelho de Vasconcellos V. B. Sanches de Castro, e de quem Alberto Sanches de Castro era respectivamente sobrinho-neto e sobrinho.
Alberto Sanches de Castro foi aluno do Colégio Militar e da Escola de Desenho Industrial de Lisboa e frequentou o atelier Voisin Frères, em Paris, onde obteve o brevet de aviador.
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Assim, Alberto Sanches de Castro FOI O PRIMEIRO PORTUGUÊS A EFECTUAR UM VOO DE AVIÃO “aeroplano com motor”, em Portugal, em 10 de Setembro de 1912, no Mouchão da Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, aos comandos de um Blériot XI, com motor Anzani de 25 cv. O feito, realizado na pista de 1200 metros do Campo do Mouchão, foi assim descrito na Revista Aeronáutica:
‘Os voos realizados foram quatro, todos em linha recta, sem viragens, sendo dois no sentido leste-oeste, e dois em sentido contrário. A maior distância de voo foi de 450 metros, percorrida em 30 segundos, e a maior altura obtida foi de 5 metros.’
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Sanches de Castro foi também pintor, caricaturista e jornalista. Em 1933 publicou o livro ‘Oh Chico… Não sejas Azelhudo! Ensinamentos d’Automobilismo na Linguagem Dele’, uma recolha de artigos sobre técnica de automobilismo publicados na revista O Volante. Participou com desenhos seus nos Salões Humoristas I, II e III (1912, 1913, 1920), bem como na Exposição dos Humoristas e Modernistas, inaugurada em 17 de Maio de 1915 e continuada em Junho seguinte no Salão-Jardim Passos Manuel, no Porto. Os seus trabalhos foram publicados em O Povo, A Águia, A Sátira, O Riso d ’A Vitória, Diário de Lisboa, ABC a Rir e outros periódicos. Algumas das suas caricaturas de políticos e escritores foram também publicadas sob a forma de postais ilustrados. Casou com a alemã Theodora Bachofen Lehrfeld, de quem teve dois filhos.
É bom, para além de todo o revisionismo do politicamente correcto, recordar os Heróis Portugueses.
Miguel Villas-Boas

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Homenagem a D. Maria Adelaide de Bragança van Uden

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Amigos e família reúnem-se na Fragata “D. Fernando II e Glória” para recordar a vida e obra da neta do rei D. Miguel.
A homenagem a S.A. a Senhora Infanta D. Maria Adelaide de Bragança van Uden, que decorreu no passado sábado na Fragata “D. Fernando II e Glória” em Cacilhas, Almada, contou com a presença de SAR, o Duque de Bragança, bem como de vários familiares e amigos.
 A cerimónia organizada pela Real Associação de Lisboa, através do seu Núcleo Sul do Tejo juntou mais de cem pessoas num dia de sol e algum calor, para evocar a vida e obra de uma mulher excepcional com uma fé inabalável que dedicou a sua vida aos outros. D. Maria Adelaide de Bragança van Uden ficou conhecida não só pela forma como sempre ajudou os mais desfavorecidos, atitude que na Segunda Guerra Mundial lhe custou por duas vezes a prisão, uma pela GESTAPO e outra pelos Soviéticos.
Durante a tarde os convidados tiveram oportunidade de ouvir cinco testemunhos que mostram a importância da Infanta na vida de cada um, mas também na sociedade portuguesa. O presidente da Real Associação de Lisboa João Lancastre e Távora e Comandante José Rocha e Abreu, dirigente do Núcleo Sul do Tejo, destacaram a humanidade e a simplicidade da homenageada. Por seu lado, o Chefe da Casa Real Portuguesa, SAR D. Duarte Pio seu sobrinho e a Senhora D. Maria Lurdes Seixas falaram sobre o relacionamento que mantiveram com a Infanta esta última no âmbito da sua extraordinária obra Social. A escritora Raquel Ochoa, autora do “A Infanta Rebelde”, uma biografia da Senhora Infanta, destacou alguns dos episódios mais singulares que ilustram a sua obra.
Com o apoio inestimável da Marinha Portuguesa e a presença do Senhor vereador da Cultura Eng.º António Matos em representação do Sr. Presidente da Câmara da Camara Municipal de Almada, no final, precedendo um “Moscatel de Honra”, ainda houve tempo para um momento musical protagonizado por quatro elementos da banda da Armada e confraternização entre os presentes.

domingo, 11 de setembro de 2016

Venha a nós o vosso IMI!

Sendo a Igreja a principal instituição socio-caritativa do país, não faz sentido que sejam tributados os seus imóveis, porque servem principalmente para suprir o Estado no serviço aos necessitados.

Muito se tem falado e escrito, nestes últimos tempos, sobre a isenção, concedida à Igreja Católica, do imposto sobre o património imobiliário (IMI), ao abrigo da Concordata entre a Santa Sé e o Estado português.
Diga-se de passagem que este excesso de zelo, por parte do fisco, parece inscrever-se numa política de hostilização da Igreja Católica pela reinante tróica PS-BE-PCP. Com efeito, recorde-se a brutal investida contra o ensino católico, protagonizada pelo Ministério da Educação, com o apoio dos bloquistas e da Fenprof. Graças a Deus, a Igreja, pela voz autorizada dos seus bispos, não alinhou na confrontação, privilegiando assim, em prol da paz social, uma solução consensual. Mas, obviamente, não se podem ignorar estes alarmantes sinais de intolerância religiosa.
A propósito, seria interessante saber se os partidos políticos, que não são propriamente instituições de caridade, embora também sejam essenciais à sociedade e à democracia, pagam o IMI, porque alguns há que têm, como é sabido, um generoso património imobiliário. Veja-se, por exemplo, o caso do antigo Hotel Vitória, um magnífico edifício de seis andares, em plena avenida da Liberdade, no centro de Lisboa, “revestido a mármore” e dotado de “sumptuosos quartos”.
Não se pede aos partidos a austeridade monástica, nem aos políticos – que devem ser justamente remunerados pelo seu imprescindível e meritório serviço à causa pública – o voto de pobreza evangélica. Mas de ambos, partidos e políticos, espera-se a decência de não se concederem privilégios negados às instituições de caridade; e a coerência de não imporem, aos mais necessitados, impostos de que a si mesmos se isentam.
Os impostos servem, entre outras finalidades, para redistribuir a riqueza e, por isso, faz sentido que todos – em especial os bancos, as grandes empresas, os latifundiários e os titulares de grandes fortunas – contribuam, numa medida proporcional às suas posses, para o bem dos mais carenciados, como ensina a doutrina social da Igreja, contrariando tanto o capitalismo selvagem, como o colectivismo totalitário. Mas, sendo a Igreja a principal instituição socio-caritativa do país, não faz sentido que sejam tributados os seus imóveis, porque esta confissão religiosa deles se serve principalmente para suprir o Estado no serviço aos mais pobres. Aliás, as instituições de outros credos, ou não confessionais, que realizam um semelhante serviço social, deveriam também beneficiar desta isenção. Não fazê-lo seria tão absurdo como cobrar o IMI aos hospitais estatais, para subsidiar o Serviço Nacional de Saúde…
Se amanhã o Estado português exigir o IMI às missionárias da caridade, fundadas por S. Teresa de Calcutá, agora muito justamente canonizada, e estas religiosas, na impossibilidade de efectuarem tal pagamento, se virem obrigadas a deixar o país, por falta de condições para realizar o seu trabalho social, não é só a Igreja que o Estado está a prejudicar, mas sobretudo os pobres a quem essas irmãs tão generosamente servem.
Que aconteceria se, pela mesma imposição tributária, se fechasse o convento de Cardais, no Bairro Alto, onde vivem raparigas e mulheres pobres, portadoras de graves deficiências?! Talvez o Estado conseguisse quem zelasse por esse magnífico património imobiliário, mas decerto não encontraria ninguém que, “pro bono”, quisesse dar o extraordinário apoio que as religiosas dominicanas prestam, dia e noite, às deficientes que aí têm a sua casa e família.
Se, pela mesma exigência fiscal, o Vale de Acor, na diocese de Setúbal, deixasse de acolher toxicodependentes, seriam estes e as suas famílias os principais lesados, porque decerto não há, no nosso país, outra instituição que ofereça os mesmos serviços com igual qualidade. E, em Portugal, há milhares de outras instituições católicas que também prestam um inestimável serviço aos mais carentes.
Mas, não é verdade que a Igreja tem também inúmeros edifícios – igrejas, capelas, conventos, etc. – que, não tendo essa vertente social, deveriam ser taxados como quaisquer outros imóveis? Sim, tem, e teria muitos mais se mantivesse também os que lhe foram expropriados, pelo regime liberal, em meados do século XIX, e pela República, nos princípios do século XX. Portanto, se o Estado quer que a Igreja pague o IMI, deveria primeiro restituir os bens imóveis de que, ao longo dos últimos séculos, indevidamente se apropriou, até porque foi também em atenção a esse esbulho que a primeira Concordata da era republicana, a título de compensação, previu para a Igreja Católica um regime fiscal especial. É isto demagogia populista? Não, são ineludíveis imperativos da mais elementar justiça, que decorrem, com necessidade, de factos certos da história recente de Portugal.
Um exemplo paradigmático: a sede do parlamento. O palácio de São Bento foi, como o seu nome indica, um antigo mosteiro beneditino que, portanto, deveria ser restituído a essa Ordem, que aí poderia reinstalar um convento, fazer um hotel de charme ou até arrendar aos deputados da nação que, para o efeito, deveriam pagar uma renda justa, que seria naturalmente elevada, tendo em conta a área em questão e a sua boa exposição solar. Se os actuais ocupantes do edifício pagarem à senhoria o que devem, já agora com os retroactivos correspondentes, com certeza que a legítima dona não deixaria de pagar o respectivo IMI.
Afinal de contas ou, melhor dito, feitas as contas, talvez não seja má de todo a ideia de aplicar o IMI aos edifícios da Igreja Católica. Mas, o Estado devolva primeiro os imóveis que expropriou à Igreja, que depois, não obstante toda a sua acção social, a Igreja paga o IMI!
Nota: A isenção do IMI não se aplica ao Opus Dei, porque os imóveis que esta prelatura da Igreja Católica usa para a sua acção, exclusivamente pastoral, não têm o estatuto de bens eclesiásticos e, portanto, não estão isentos deste imposto.
Fonte: Observador

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

AUTO COMEMORATIVO INAUGURAÇÃO DO CAMINHO DE FERRO DA BEIRA BAIXA 06-09-1891



"D. Carlos I e a Rainha Dona Maria Amélia [...] dignaram-se a visitar os Paços do Concelho, pelo que a Câmara Municipal com a anuência de Suas Majestades deliberou mandar lavrar o presente auto commemorativo."