quarta-feira, 24 de agosto de 2016

REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA HOMENAGEIA S.A. A SENHORA INFANTA D. MARIA ADELAIDE



AGENDA - 10 DE SETEMBRO: A Real Associação de Lisboa, através do seu Núcleo Sul do Tejo, homenageia S.A. a Senhora Infanta D. Maria Adelaide na Fragata " D. Fernando II e Glória ", na Doca da Trafaria

D. Maria Adelaide de Bragança van Uden ( 1912-2012 ), neta de D. Miguel I de Portugal, é um exemplo de cidadania e serviço ao próximo, desde os dias da resistência ao III Reich até à obra social da Fundação D. Nuno Álvares Pereira por si criada.

Uma vida exemplar, reconhecida pela própria República Portuguesa que a fez Grande Oficial da Ordem do Mérito, e que será lembrada neste dia por quem melhor a conheceu.

( Entrada livre, sujeita à disponibilidade do local )

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SS. AA. RR., Os Duques de Bragança participaram na procissão de Nossa Senhora da Conceição em Ferragudo

Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Em Ferragudo, a homenageada foi Nossa Senhora da Conceição. Na segunda-feira, saíram ao Rio Arade centenas de embarcações, para participar e dar cor à festa. Durante a cerimónia, além do cortejo, houve lugar à benção das embarcações.
Nesta procissão, além da comunidade local, participaram, igualmente os Duques de Bragança D. Duarte Pio e D. Isabel de Bragança e os príncipes herdeiros. Depois do cortejo, houve festa com comes, bebes e música no largo da Angrinha.

domingo, 21 de agosto de 2016

As Jornadas Mundiais da Juventude: uma Olimpíada da Fé

Há dois mil anos, escrevia o apóstolo adolescente aos primeiros cristãos: “Eu vos escrevo jovens, porque sois fortes, porque a palavra de Deus permanece em vós e porque vencestes o maligno!” (1Jo 2,14).
A mesma mensagem, mas com outras palavras, foi o desafio que o Papa Francisco fez aos jovens que participaram, em Cracóvia, nas XXVIII Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ). Segundo Damian Muskus, o bispo coordenador geral das JMJ, participaram 200 mil jovens na missa de abertura; na Via Sacra, os peregrinos eram já 800 mil; no sábado, a organização contabilizou 1,6 milhões de presenças na celebração no Campo da Misericórdia; e, no domingo, na Eucaristia final, participaram mais de 2,5 milhões de fiéis.
Pensando sobretudo nos adolescentes que têm uma existência cómoda e despreocupada, o sucessor de São João Paulo II – a quem se ficou a dever a libertação da Polónia e do Leste europeu, bem como as Jornadas Mundiais da Juventude – fez um vigoroso apelo: “queridos jovens: não viemos a este mundo para vegetar, para passar a vida comodamente, para fazer da vida um sofá no qual adormecemos. Ao contrário, viemos para deixar uma marca!”
Para quem ainda pensa que a religião é o ópio do povo, as palavras de Francisco não poderiam ter sido mais realistas, nem mais incisivas, mobilizando os jovens católicos para uma presença mais activa na sociedade mundial: “O tempo que estamos agora a viver não precisa de jovens-sofá, mas de jovens com sapatos, melhor ainda, com as chuteiras calçadas. Só aceita jogadores titulares na equipa; não há lugar para suplentes!”
O apelo do pontífice era, porém, escusado, para aquela grande multidão de jovens que, para chegarem ao Campo da Misericórdia, nos arredores de Cracóvia, tinham já peregrinado, pelo menos, 12 kms a pé. Muitos dormiram depois ao relento, enquanto alguns foram acolhidos em instalações mais do que muito precárias, às vezes no meio do lodaçal em que a chuva transformou o recinto das Jornadas. Contudo, nada que arrefecesse o entusiasmo ou a alegria dos muitos milhares de jovens que participaram nas JMJ. Muito significativa também a presença de bastantes religiosas, sobretudo jovens, e a de muitos padres, que acompanhavam os jovens, os atendiam em confissão e os preparavam para a Eucaristia final, a missa do envio. Com efeito, cada JMJ não é apenas uma meta de chegada, mas também de partida, para uma renovada missão apostólica e … para as próximas Jornadas, a realizar no Panamá, em 2019!
Sob o lema da misericórdia, o Papa Francisco aproveitou a multitudinária assembleia para chamar a atenção para os actuais dramas humanitários, que não podem ser reduzidos a uma mera notícia da imprensa sensacionalista, ou às chocantes imagens de abertura de um qualquer telejornal: “Sejamos conscientes da realidade. A dor, a guerra em que vivem muitos jovens não pode continuar a ser anónima, tem que deixar de ser uma mera notícia de imprensa, porque tem nomes, tem rostos, é uma história que tem que ter proximidade”. E, para que as suas palavras fossem corroboradas pelo exemplo, Francisco quis ouvir, na companhia de todos, o impressionante testemunho de Rand, um jovem sírio de Alepo. O Papa argentino comentou depois: “a nossa resposta a este mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade”.
O Papa Francisco não pretende convocar uma nova cruzada, nem uma espécie de intifada cristã, ao jeito da jihad muçulmana. Como ele próprio esclareceu: “Nós não vamos agora gritar contra ninguém, não vamos lutar, não queremos destruir. Nós não queremos vencer o ódio com mais ódio, nem vencer a violência com mais violência, nem muito menos vencer o terror com mais terror”.
Mas, se os objectivos são pacíficos, como pacíficos hão-de ser também os meios a utilizar nesta nova evangelização, todos os cristãos, nomeadamente os mais jovens, têm que ter consciência da exigência da missão a que são chamados, a qual é de todo incompatível com a paralisia do sofá: “Uma paralisia que nasce quando se confunde a ‘felicidade’ com o ‘sofá’. Um sofá contra todo tipo de dores e temores. Um sofá que nos faz ficar em casa trancados, sem nos cansarmos, nem nos preocuparmos”.
Neste seu jeito tão particular de motivar os jovens católicos para os desafios do terceiro milénio da era cristã, o Papa Francisco criticou os chamados couch potatoes, termo usado pelos americanos para referir os sedentários, jovens ou velhos, que passam várias horas ao dia deitados no sofá, diante da televisão ou à frente do computador.
Num mundo dilacerado por tantas guerras e perseguições, nomeadamente contra os cristãos, a presença de mais de dois milhões de jovens nas Jornadas Mundiais da Juventude é, sem dúvida, um motivo de alegria e um sinal de esperança, porque “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé!” (1Jo 5, 4).
Fonte: Observador

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A importância do reaparecimento do elmo de D. Sebastião na nossa geração

Morrer sim, mas devagar
D. Sebastião em Alcácer-Quibir

El-Rei D. Sebastião


Passou a ser recorrente, entre nós, atacar a figura do nosso Rei D. Sebastião – nome único entre todos os nossos Reis e também no mundo – que de “Desejado” por todos, como ficou para a História, passou a ser considerado, por muitos, como o símbolo do erro e da leviandade.

Tudo porque arriscou uma partida difícil e perdeu uma batalha que quase esteve ganha. Acaso a tivesse ganho, não seria hoje um herói?

Creio que aquela imagem começou a ser construída no século XIX, pela historiografia emergente da Convenção de Évora-Monte, quase toda ela Liberal e Maçónica, e que se prolongou pela I República, da qual também saiu ferido o infeliz rei D. João VI, cuja figura está a ser lenta e justamente recuperada.

Não nos fica bem trata deste modo o jovem Rei-menino, que parece, afinal, ter morrido velho… Em primeiro lugar porque a jornada de África, sendo discutível, não era desprovida de nexo estratégico. Não acreditamos que se tratasse de ocupar todo o Marrocos – para o que, sozinhos, nunca disporíamos de forças suficientes – mas sim de jogar em apoios que permitissem deter o Império Otomano em rápida expansão nos Balcãs e no Norte de África. [...] Recorde-se que os Turcos só foram parados às portas de Viena em 1529 e, mais tarde, em 1683.

[...] Acresce a tudo isto o constante perigo que representava para a navegação cristã (e para as populações do litoral) a pirataria Berbere e também a “concorrência”espanhola, que cada vez intervinha mais no litoral norte africano, desde Carlos V, como são exemplos os ataques a Tunis e Argel, onde também participaram fortes esquadras portuguesas.
No Reino também se assistiu a uma mudança de política, relativamente à ideia de abandono de praças em Marrocos, posta em prática no reinado de D. João III, sobretudo após as Cortes de 1562 e da extraordinária defesa ao formidável cerco que os Mouros puseram a Mazagão, nesse mesmo ano.

A situação política em Marrocos era, outrossim, favorável: havia guerra civil e um dos principais contentores aceitou fazer uma aliança com Portugal.

É certo que o monarca português cometeu erros, sendo o maior de todos, o de se colocar à testa do Exército sem ter assegurado descendência – embora tal se devesse, em muito, à pressão dos acontecimentos.

Elmo de D. Sebastião


[...] Sem embargo, Sebastião não nos desmereceu: começou por preparar a campanha com antecedência, para o que reformou toda a legislação militar, incluindo a primeira concepção moderna de serviço militar obrigatórioDepois, combateu bem e com denodoDeu o exemplo, e pagou com a vida ou com o desterro – e tudo indica que foi esta última hipótese que ocorreu [...]. Dele disse o grande Mouzinho, na sua esplêndida carta ao Príncipe D. Luís Filipe: “…mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado…”

O desfecho da batalha pode não redimir totalmente a figura do jovem Rei, mas salvou para sempre a sua imagemDe tal modo que se entranhou no imaginário nacional um peculiaríssimo estado de alma – à revelia de toda a racionalidade – e que só os portugueses entendem: o “sebastianismo”, essa saudade das glórias passadas, misturado com a esperança da redenção do porvir.

Deve ainda ter-se em conta que não foi por D. Sebastião ter sido derrotado em Alcácer Quibir, que Filipe II se apoderou da coroa portuguesa – a nossa Marinha, por ex., ficou intacta: foi pelo caquectismo e pusilanimidade do velho Cardeal D. Henrique e porque a maioria do alto clero e da alta nobreza se deixou seduzir e corromper pelos ideais iberistas e pela prata de Sevilha! Uma lição de que nos deveríamos lembrar hoje, todos os dias…

Em síntese, apesar da sua pouca idade em Alcácer-Quibir (24 anos) D. Sebastião não nos deixou ficar malnão fugiunão desertou do combate, não traiu. Deu o exemplo, pôs-se à frente das tropas, combateu com bravura, não desmereceu dos seus maiores, não envergonhou a nobreza, o clero e o povo. Sebastião agiu de boa mente e com boas intenções.

Não era um “louco”ou um doente com deformações, como quiseram fazer crer. O seu reinado tinha sido um bom reinadoocorreu um número elevado de vitórias militares, em três continentes; estabeleceram-se muitas medidas para o saneamento da economia e finanças e até da moral e dos costumes. O próprio Rei se interessou pessoalmente pela administração da Justiça.

Ao contrário do que também quiseram fazer crer, o jovem Rei não era incapaz de conceber e não se opôs a casar-se. Opôs-se sim, a casar com quem lhe destinavam e nos moldes em que o propunham.

[...] O “Desejado”passou, desde o seu desaparecimento, a representar a esperança da redenção da Pátria, de tal modo que o povo se recusou sempre a acreditar, contra tudo e contra todos, na sua morte.

A sua figura foi um pilar fundamental da resistência à usurpação filipina e inspiradora da Restauração da IndependênciaFoi um sustentáculo da Fé e da coesão, foi a luz que nunca se extinguiu no fim da esperança “da Lusitana antiga liberdade”, no dizer de Camões.

D. Sebastião nunca morreu entre nós, esteve sempre presente na mente do povo e dos grandes portugueses, nas artes e na literatura. É um ícone do nosso imaginário!

De facto, a acreditar no que D. Sebastião representa, é conseguir ultrapassar-nos a nós próprios.

O elmo de combate, em boa hora recuperado e que hoje está entre nós [...], é o que nos resta d’ Ele, é um símbolo d’ Ele, é uma imagem que podemos recriar d’ Ele. (*)

Hoje D. Sebastião, o seu espírito e o que ele representa, é-nos mais necessário do que nunca.

[...] Para isso nada melhor para nos inspirar do que a figura do Rei-menino que quis a glória da terra que lhe deu o berço. O seu elmo de batalha aí está a significar a sua intemporalidade e transcendência. Ele nos fará correr mais rápido o sangue nas veias, de modo a que nos disponhamos a enfrentar quaisquer perigos.

Com ele se levantará a altaneira “raça” portuguesa e não haverá Adamastor que nos detenha.

D. Sebastião está, pois, vivo entre nós; o que ele representa está vivo, viva então em nós o “Desejado”!

[...] Arraial, Arraial, por Portugal!


João J. Brandão Ferreira
Tenente-Coronel Piloto-Aviador (Ref.)

Excertos do artigo publicado em 7-8-2011: http://novoadamastor.blogspot.pt/. Os destaques gráficos são da responsabilidade da nossa Redacção.
(*) Cfr. Rainer Daehnhardt (foto), “Dom Sebastião, o Elmo e Alcácer-Quibir” , Apeiron Edições, Agosto 2011, 237 págs., ISBN: 978-9898447-17-3

Fonte: Arautos d'El-Rei

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nuno Galopim desvenda a vida do rei D. Manuel II



Estreia do jornalismo na ficção com um romance de descoberta do último rei de Portugal: "Todos sabem o seu nome mas é o que menos conhecemos"

Os Últimos Dias do Rei é o terceiro livro que Nuno Galopim assina em dois anos. Depois de Os Marcianos Somos Nós (Gradiva, 2015) e da biografia dos The Gift, o novo título marca a estreia do jornalista na ficção, a partir da vida de D. Manuel II, monarca sem trono, que, após a implantação da República, se instala nos arredores de Londres, em Fulwell Park, onde morre em 1932, aos 43 anos, sem ter voltado a Portugal. Assume os destinos de Portugal com apenas 18 anos, e sem esperar, após o assassinato do pai, o rei D. Carlos, e do herdeiro ao trono, Luís Filipe, em 1908. Dois anos depois o regime cai definitivamente. É por aí que o autor começa a narrativa. Para o final, e porque é um apaixonado pelos "e ses..." da ficção histórica, permite-se traçar cenários.

O que é real e o que é ficção em Os Últimos Dias do Rei?
Tudo o que é relacionado com a vida de D. Manuel é factual e resultou de meses de leitura e muita recolha de dados, cruzando várias fontes, para obter o maior número possível de pontos de vista. O que é ficção é a criação de pontos de ligação entre a história de D. Manuel: a história de 2016, que é o motor de todas as descobertas, e o jornalista de 1932 que acompanha [o rei] nos seus últimos tempos de vida. É através desta relação entre duas personagens fictícias que descobrimos D. Manuel II. Acho que todos os portugueses sabem o seu nome porque foi o último rei de Portugal, mas na verdade é aquele de quem nós, como coletivo, menos conhecemos.

O que descobriu sobre D. Manuel?
Antes mesmo de o Estado português ter tomado posição na I Guerra Mundial, ele ofereceu os seus préstimos ao rei de Inglaterra, tomou partido no esforço de guerra pelos Aliados e trabalhou com hospitais até ao final do conflito. Foi uma figura importante no estabelecimento de novas formas de tratar um certo tipo de ferimentos, ligados sobretudo à ortopedia, pensando não só o tratamento em si, mas a colocação desses feridos no mercado laboral finda a guerra, o que fez dele uma figura muito querida da associação de ortopedistas ingleses. Sabia que era um amante do desporto, mas não fazia ideia que ele tinha estado na final feminina de Wimbledon em 1932, pouco antes da sua morte.

Porque decidiu escrever ficção?
Não decidi, foi o Francisco Camacho [editor da Esfera dos Livros] que me desafiou! Ele perguntou--me muito simplesmente: por que não fazes uma ficção? E eu respondi: sou jornalista, só escrevo sobre coisas factuais, não sei inventar histórias. Ele insistiu. Como não me podem lançar desafios, disse que sim... e procurei encontrar pontes entre o trabalho de um jornalista na sua relação com a realidade de uma forma desapaixonada, correta, informativa e formativa, e depois o lado do ficcionista que encontra uma trama para lá encaixar estas várias histórias.

Em vez de existir um alter ego, existem dois: o jornalista de 1932 e o estudante de cinema de 2016.
Dividi-me em duas figuras, um jovem recém-formado em cinema que está a viver em Londres, e um jornalista que nos anos 30 entrevista D. Manuel II.

Visitou os locais do livro?
Foi muito importante ir aos espaços: visitar o Palácio das Necessidades e ver onde era o quarto de D. Manuel II, onde era o quarto do irmão, reparar que havia umas escadinhas que levavam ao quarto da rainha, no andar de cima. E, além disso, ir a Londres, não só à loja da Maggs Brothers, que hoje já não está no mesmo espaço do que nos tempos de D. Manuel, mas perceber o que é a loja e sentir o ar daqueles livros. E ir até à casa dele. A mulher dele, Augusta Vitória, vendeu a propriedade algum tempo depois da morte do rei. Essa zona foi loteada. As ruas chamam-se D. Manoel Road, Augusta Road, Portugal Gardens... E é pela toponímia que sabemos que a memória do rei está ali, na igreja onde ele ia, e que tem fotografias dele e uma placa a lembrá-lo, está na loja onde há um livro sobre D. Manuel II, mas cada vez mais essa memória está a dissipar-se. O tempo erode essas memórias e cabe aos livros fixá-las.

Fonte: DN
Publicado por: Monarquia Portuguesa

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O Bombeiro D. Afonso de Bragança

Dom Afonso de Bragança


O Bombeiro Dom Afonso de Bragança
Infante Dom Afonso Henriques de Saxe-Coburgo-Gota e Bragança, (Ajuda – Lisboa, 31 de Julho de 1865 – Nápoles, 21 de Fevereiro de 1920), 3.º Duque do Porto, 6.º Príncipe Real e herdeiro do trono de Portugal (no reinado de Dom Manuel II), último Condestável de Portugal e último Vice-Rei da Índia Portuguesa.
Deve-se ao Infante Dom Afonso Henriques de Bragança a fundação, em 10 de Abril de 1880, da Real Associação de Bombeiros Voluntários da Ajuda da qual foi o seu primeiro comandante.
A RABVA recebeu o alvará de Real Associação em 2 de Maio de 1881 e funcionava como sede numa parte do próprio Palácio da Ajuda.
Fruto da mal-intencionada campanha republicana que visava denegrir os membros da Família Real Portuguesa ficou injustamente conhecido como ‘O Arreda’. O que não conta essa estória é que Dom Afonso como comandante dos Bombeiros Voluntários da Ajuda  percorria as ruas de Lisboa num carro de bombeiros – pago do próprio bolso – a alta velocidade para levar o auxílio a quem tinha os seus bens a serem consumidos pelo fogo ou incêndios nas matas adjacentes, e como não havia sirenes nesse tempo fazia-o com uma palavra de ordem, o grito, de ‘Arreda, Arreda!’ para que os hipomóveis e os peões saíssem da frente, o que lhe valeu o cognome pouco abonatório, pois como era entusiasta de carros e foi o responsável pela organização das primeiras corridas de automóveis em Portugal, a propaganda anti-monarquia pretendeu passar a ideia que era por conduzir o seu automóvel a alta velocidade, pelas ruas da Capital aos gritos de‘Arreda!’, para as pessoas se afastarem sem serem atropeladas.
É, portanto, impreterível fazer a devida Honra e Justiça à Sua Memória!
Miguel Villas-Boas

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Bronze para Portugal: parabéns, Telma!

“Pensei muito em Deus e como Ele sabe tudo e, [como] eu tinha sido paciente para continuar a trabalhar, o meu dia acabaria por chegar!” – declarou a judoca Telma Monteiro, depois de ter ganho, no passado dia 8 de Agosto, a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Uma medalha que certamente premeia a sua qualidade como atleta, mas também e sobretudo a sua persistência, pois estes são os quartos Jogos Olímpicos em que participa, depois de ter estado, sem ter ganho nenhuma medalha, em Atenas, em 2004; em 2008 em Pequim; e, há quatro anos, em Londres.
Agora, no Brasil, a consagrada atleta portuguesa conseguiu a medalha de bronze, não obstante a sua condição física não ser a melhor, como a própria reconheceu: “Foram meses de receio, lágrimas e muita luta. Pensei que podia não estar aqui hoje. Tudo o que eu queria era ter mais uma oportunidade. Passei mais meses a recuperar do que a treinar, mas às vezes as coisas acontecem assim. Já vim favorita e não deu. Hoje vim com o joelho ligado. O ombro luxado, mas foi na garra, no querer. Teve de ser, tinha de dar” (Público, 9-8-2016, p. 36).
Não o podia ter dito melhor: “foi na garra, no querer”. Uma vontade de ferro, sem dúvida, mas aliada à fé em Deus, a quem se referiu explicitamente depois desta sua tão desejada e esforçada vitória: “pensei muito em Deus …” Deus ajuda os audazes, como diz o antigo adágio latino, mas não concede as suas graças aos que não lutam. Esse não foi o caso de Telma Monteiro, uma mulher de armas, que nunca desistiu, que lutou sempre, que não desanimou. Nem sequer agora que estava com o ombro lixado, digo, luxado. A sua adversária não ignorava esta sua especial vulnerabilidade e quis até tirar proveito desta desvantagem da judoca portuguesa, mas sem efeito. Porque a Telma, como os outros campeões, da fraqueza tira a força, à semelhança do apóstolo que, a propósito das suas lutas interiores, dizia: “quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12, 10).
Sempre que alguém, procedente de um meio socio-económico mais desfavorecido, ou pertencente a uma família desestruturada, é notícia por algum mau motivo, é comum atribuir as culpas às circunstâncias da sua vida. Um jovem argelino incendeia automóveis nos arredores de Paris? Claro, está desempregado, vive nos arrabaldes, não tem dinheiro, os pais estão divorciados, etc. Com certeza que as condições familiares, sociais e económicas não são indiferentes e é dever do Estado garantir a todos os cidadãos as condições necessárias para a sua realização pessoal e social. Mas não é menos verdade que também há pessoas que superam essas dificuldades. Com muita “garra”, como a Telma Monteiro, filha de um muito modesto pintor de automóveis e de uma cozinheira, algures na margem sul do Tejo.
Condenada a viver num bairro social, onde os seus pais ganhavam o indispensável para manter a numerosa família – quatro filhos, sendo o último adoptado –, a Telma Monteiro poderia ter desistido de ser uma atleta de alta competição, uma medalhada nos Jogos Olímpicos. Mas não são as sapatilhas mais sofisticadas, nem o iPhone último modelo, nem a roupa de marca que fazem os grandes desportistas. A Telma, muito antes de ganhar uma medalha, já tinha conquistado a fibra de que se fazem os campeões, sem arrogância, sem mágoa ou tristeza. Aliás, nem dos que a venceram guarda ressentimento, porque cada derrota foi também uma lição, de que está grata. Está bem com a vida, sente-se abençoada e, com impressionante humildade, confessa: “a minha vida tem sido espectacular!”
Por detrás de uma grande mulher há sempre uma grande família! Grande sobretudo nos valores, na generosidade. É com emoção que se ouve a desportista contar como os seus pais, que viviam com muitas dificuldades, aceitaram adoptar um sobrinho que, de outra forma, teria sido entregue a uma instituição. Tinham todos os motivos para rejeitar aquela criança, que não era deles e que ia sobrecarregar consideravelmente o já exíguo orçamento familiar, mas foi opção que nem sequer consideraram, manifestando, com simplicidade, uma grandeza de alma que não é comum.
Aguerrida, combatente, muito agressiva sobre o tapete… a Telma Monteiro tem contudo uma alma sensível e, por isso, na sua excelente entrevista à SIC, não escondeu as lágrimas que lhe caíram pela face, quando recordou o treinador amigo, já desaparecido, mas que sente sempre presente. Depois, arrependeu-se de ter chorado, porque tinha prometido a si mesma que o não ia fazer, mas essa sua fraqueza é sinal da grandeza do seu coração. São Pedro dizia que o ouro, embora perecível, prova-se pelo fogo (1Pdr 1, 7). O bronze também se derrete, quando as chamas são de amor genuíno e verdadeira gratidão.
Parabéns, Telma Monteiro, glória do judo nacional e honra de Portugal!
Fonte: Observador

sábado, 13 de agosto de 2016

Batalha de Aljubarrota Comemora 631 anos



Durante o dia a população vai poder assistir a vários momentos que passam por Missa, Cerimónia Militar, Recriação do Combate Medieval às vésperas da Batalha de Aljubarrota e Apresentação dos trabalhos ao Prémio António Sommer Champalimaud
A Batalha de Aljubarrota tem este ano uma comemoração alargada pela data do 14 de Agosto, assinalando mais uma vez aquele que foi um dos dias mais importantes para os portugueses.
No terreno da Batalha haverá, como habitual, uma missa campal celebrada pelo Capelão do Exército e uma cerimónia militar, presidida pelo Major-General Diretor da Direção de História e Cultura Militar, onde estarão presentes cerca de 120 militares em parada.
Durante a manhã será dado destaque ao Prémio António Sommer Champalimaud, que foi desenvolvido com o objetivo de premiar trabalhos criativos alusivos à Batalha Real de 1385 realizados por crianças e jovens em Instituições de Solidariedade Social e/ou ensino da região de Leiria
Os trabalhos serão apresentados ao público durante a semana de 9 a 14 de Agosto e a votação, dos melhores trabalhos, será feita pelos seguidores da página Facebook do CIBA e pelo júri, com representantes da Fundação Batalha de Aljubarrota.
A tarde será marcada pela animação cultural com a Recriação do Combate Medieval, às vésperas da Batalha de Aljubarrota. Aqui alguns homens de armas de Nuno Álvares Pereira são surpreendidos por um pequeno grupo de castelhanos, em reconhecimento do terreno, antes da chegada do imenso exército castelhano às terras do termo de Leiria.
Esta Recriação vai contar com a participação de jovens voluntários, alguns que fazem parte de instituições de solidariedade social e outros que a eles se queiram juntar (que podem fazer inscrição junto do CIBA – Serviço Educativo- contactar via facebook).
De lembrar que, a vitória portuguesa em Aljubarrota permitiu a preparação daquela que seria a época mais brilhante da história nacional – a época dos Descobrimentos – que, de outra forma, não teria ocorrido.
A Batalha de Aljubarrota proporcionou definitivamente a consolidação da identidade nacional, que até então se encontrava apenas em formação, e permitiu às gerações futuras portuguesas a possibilidade de se afirmarem como nação livre e independente.
Notas de Agenda:
Comemoração do Aniversário da Batalha de Aljubarrota
Manhã
10h00 Missa Campal, no altar da Batalha Real
11h00 Cerimónias Militares, com presença de 120 militares em parada
Prémio António Sommer Champalimaud
Tarde
Durante a Tarde Visitas ao Campo da Batalha e participação de Atividades Lúdicas, desenvolvido pelo Serviço Educativo do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota
18h30 Recriação do Combate Medieval às vésperas da Batalha de Aljubarrota, desenvolvido pelo Vivarte, com participação de jovens de instituições de solidariedade social e de todos os que se queiram juntar (inscrições junto do CIBA – Serviço Educativo- contactar via facebook)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Vivam Os Bombeiros Portugueses!

Bombeiros Voluntários


O termo Bombeiro está estreitamente ligado às bombas de água, um dos equipamentos mais importantes no combate aos sinistros e os mais avançados para a época em que foram introduzidas, em Lisboa, no ano de 1734. Neste mesmo ano foram adquiridas mais quatro bombas, em Inglaterra.
Porém, a história dos bombeiros portugueses começa com El-Rei D. João I de Portugal que, através da Carta Régia de 23 de Agosto de 1395, tomou a primeira iniciativa em promulgar a organização do primeiro Serviço de Incêndios de Lisboa, ordenando que:  “…em caso que se algum fogo levantasse, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cântaro ou pote para acarretar água para apagar o dito fogo”.
Todavia, somente em 1646, no Reinado de D. João IV, se tentou introduzir em Lisboa o sistema usado em Paris, tendo o Senado aprovado a aquisição de diverso material e equipamentos e concedendo prerrogativas a nível de remunerações e de habitações.
A instalação, em Lisboa, dos três primeiros “quartéis”, foi decidida por D. Afonso VI, em 28 de Março de 1678: “O Senado ordenará, com toda a brevidade, que nesta cidade haja três armazéns… e que estejam providos de todos os instrumentos que se julgarem necessários para se acudir aos incêndios, e escadas dobradas de altura competente, para que, com toda a prontidão, se possam remediar logo no princípio…”
Três anos depois, em 1681, a reorganização, continuou, e foram compradas, na Holanda, duas bombas e uma grande quantidade de baldes de couro, sendo distribuídos 50, por cada bairro. Os pedreiros, os carpinteiros e outros mestres passaram a ser alistados para o combate aos sinistros, ficando sujeitos a uma pena de prisão por cada incêndio, a que não comparecessem.
No reinado do D. João V, em 1722, é fundada no Porto a Companhia do Fogo ou da Bomba, constituída por 100 homens práticos, capazes de manobrarem a “Bomba, machados e fouces”.
A primeira Companhia de Bombeiros de Lisboa, criada em 17 de Julho de 1834 pela Câmara Municipal, que ficou também conhecida por Companhia do Caldo e do Nabo. O compositor Guilherme Cossoul foi o 1º Bombeiro Voluntário e fundador da Companhia de Voluntários Bombeiros de Lisboa, criada, em 1868, e que depois, em 1880, passou a Associação de Bombeiros Voluntários.
A partir do ano 1868, foram introduzidas as bombas a vapor, originando a obrigatoriedade dos proprietários instalarem bocas-de-incêndio nos prédios. Apareceu também a escada Fernandes, e foi instituída a classe de Bombeiros permanentes, osSapadores termo que vem do latim Sapa.
Real Associação de Bombeiros Voluntários da Ajuda foi fundada em 10 de Abril de 1880. O seu primeiro comandante foi o Infante D. Afonso Henriques de Bragança. A RABVA recebeu o alvará de Real Associação em 2 de Maio de 1881 e funcionava como sede numa parte do próprio Palácio da Ajuda.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Hergé: Um Monárquico Convicto

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Muitos conhecem Georges Remi somente pelo génio da escrita e do desenho, que lançou ao Mundo a 10 de Janeiro de 1929, Tintim, o herói que o catapultou para o sucesso sem precedentes. Mas o que talvez não saibam é da sua luta e lealdade pelo Rei da Bélgica, Leopoldo III, e acima de tudo pela Monarquia.
Nunca se conheceu o paradeiro do verdadeiro avô de Hergé, o que o fez fantasiar por algum tempo poder tratar-se do próprio Leopoldo II, pois era famoso por ter vários filhos ilegítimos. Quando a sua prima Marie Louise lhe perguntava quem era o avô, ele desviava a conversa, mas por fim respondeu-lhe: “Não te digo quem era o nosso avô porque isso podia subir-te à cabeça”.
Desde o lançamento do primeiro volume de As Aventuras de Tintim, que os Príncipes Balduíno e Alberto recebiam cópias de luxuosa encadernação de todas as obras.
Logo a 14 de Outubro de 1936 o Rei Leopoldo III anunciava que em caso de guerra a Bélgica deveria manter-se neutra, pois se fosse invadida de novo “a luta devastaria o país de uma forma tal que a guerra de 1914-1918 não passaria de um pálido reflexo”. As suas palavras estavam certas, mas o destino foi inevitável. Hergé concorda com a tomada de decisão do Rei, apesar de haver algum descontentamento na opinião pública.
No ano de 1939 é publicado O Ceptro de Ottokar, livro que exalta a Monarquia Constitucional, onde o herói salva o Monarca da Sildávia de uma conspiração com o objectivo de implantar uma república ditatorial. As parecenças do Muskar II, soberano fictício da Sildávia, com o Rei Leopoldo III são visíveis. Esta era a forma de Georges mostrar a sua lealdade com a Casa Real belga, apesar de todas as adversidades.
Quando a II Guerra Mundial estala os quatro principais ministros belgas decidem abandonar o país e partirem para França. Leopoldo III por seu turno não abandona a Bélgica, dizendo que o seu lugar era ao lado do povo. Neste momento era ele que dirigia pessoalmente as operações militares. A 28 de Maio de 1940 o Rei rende-se a Hitler para evitar massacres, ficariam imortais as suas palavras “Não vos abandono no infortúnio que nos atormenta e comprometo-me a velar pelo vosso destino e pelo das vossas famílias. Amanhã começamos a trabalhar com a firme vontade de levantar a pátria das ruinas”. Hergé declararia mais tarde “Penso que nunca existiu nenhum testemunho que me abalasse a minha convicção inicial. (…) O rei teve razão”.
Durante este período Hergé carece de bens de primeira necessidade, por esta razão pede a Adolfo Simões Muller, director do jornal português O Papagaio, seu parceiro desde 1936, que enviasse comida para si e para o seu irmão Paul, que se encontrava prisioneiro na Alemanha. E assim o fez, enviando inúmeras iguarias, café e tabaco. Portugal foi o primeiro país a traduzir e a colorir As Aventuras de Tintim. Curiosamente Adolfo Simões Muller compartilha o mesmo apelido de um dos eternos rivais de Tintim.
Georges só viria a conhecer Leopoldo III em 1948, quando este se encontrava em Prégny, na Suíça. O Rei convida-o para almoçar e recorda com saudade todos os álbuns que lhe foram enviados ao longo de quase duas décadas. A partir desse momento estabeleceu-se uma amizade.

Francisco Teles da Gama

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Reinar Não É Um Ganha-pão!

Rei em Parada


O Rei tem um papel histórico: o de personificar o carácter nacional; porque o Monarca é o primeiro depositário da tradição dos antepassados dos homens e dos costumes da Nação.Além disso, a função Real é, de facto, um Serviço que é desempenhado com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura exercer o melhor possível o seu Ofício dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante e da defesa do bem comum.
A função Real é, de facto, um Ofício que deve desempenhar com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura desempenhar o melhor possível o seu serviço dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante.
Só o Rei terá uma superior consciência dos problemas nacionais, pois a educação de um Príncipe é orientada da forma que se entende ser a mais adequada ao melhor desempenho do seu futuro mester de Rei, de forma a reinar da forma mais útil e favorável para o País. Reinar é uma especialização na defesa dos interesses da Nação que nunca podem ser alvo de desdém e indiferença.
A mais-valia do Monarca consiste num misto de preparação, probidade e neutralidade, que evita que o Rei caia no aperto da impreparação – maduro a tomar decisões nunca saltará etapas que possam perigar o estado da Nação -, nunca tropeçará no embaraço da falta de ética, na enrascada do comprometimento, pois mantém uma posição de neutralidade em relação a questões políticas, imune a lobbies, sem compromissos unilaterais que fereriam a dignidade do poder moderador que se Lhe exige, enquanto Chefe de Estado.
A política, pela sua própria essência, campo de pelejas intermináveis, sobrecarregada de invejas, tem esse destino singular de ser ferida e acicatada, por questões, interesses e lobbies partidários, económicos e financeiros ou mesmo desta ou daquela classe social. Por isso não poucas vezes o bem comum não está suficientemente acautelado.
Assim a função de reinar elimina os comprometimentos e as frívolas promessas de campanha e torna a chefia do Estado merecedora de confiança, porque independente de calendários e questiúnculas eleitorais.
Ora, com a figura do Rei que exprime a virtude da dedicação ao bem comum e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação, a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem.
No nosso ainda novo século, como em nenhum outro antes, testemunha-se nas repúblicas o maior desprezo pela política e pelas instituições, supostamente, democráticas, muito pelo que acontece nos gabinetes do actual sistema, em que políticos manhosos, empanturrados de afectação exercitam a poder com dominação achando-se depositários da jurisdição totalitária de abater a vontade do Povo.
Muitas vezes num ambiente de óbvias tensões, de uma enorme cadeia de causas e feitos, de inúmeros interesses individuais, é esse fim último de Bem Comum que só uma figura totalmente livre e independente pode ter o discernimento para perceber. Essa liberdade, absolutamente necessária, só um Rei possui: “Nosso Rei é livre!”, O Rei, também, protege e ama o Povo e a Nação e todas as suas coisas; aos primeiros ama como um Pai e as suas coisas guarda como se fossem Suas. Lembremo-nos da célebre tirada d’ El-Rei Dom João II: ‘Quero que se entenda que a Bandeira Portuguesa defende e protege até um papagaio!’
Servir! – Sempre servir… o Povo, a Nação, até à morte e até depois dela… pelo exemplo!
Miguel Villas-Boas

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A eutanásia e o referendo

Pior do que referendar um direito fundamental seria permitir que, pela eutanásia, se negasse o direito à vida aos pobres, velhos e doentes, por arbitrária decisão de uma ocasional maioria parlamentar.

Em artigo de opinião, no PÚBLICO de 1 de Agosto, alguns promotores da eutanásia insurgiram-se contra Maria do Céu Patrão Neves, autora do livro O admirável horizonte da bioética, por ser contrária à despenalização da eutanásia e do suicídio medicamente assistido.
São já muitas as personalidades que se manifestaram contra esta tentativa de impor, na sociedade portuguesa, o que alguns designam como ‘direito a uma morte digna’ mas que, na realidade, mais não é do que a prepotência dos mais fortes sobre os mais fracos, como são, neste caso, os idosos e os doentes terminais. Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. José Manuel Silva, em extenso e documentado artigo, se manifestou contra a eutanásia, quer por motivos clínicos, quer também por razões de ordem moral.
Nesse seu valioso ‘contributo para o debate’, José Manuel Silva chama a atenção para um facto significativo: a escassa receptividade que teve, até à data, o manifesto eufemisticamente intitulado ‘Direito a morrer com dignidade’. Depois de ter constatado “o profundo desconhecimento” da sociedade portuguesa sobre o tema, o bastonário da Ordem dos Médicos afirma: “o reduzido número de 8.300 assinaturas da petição pela eutanásia, muito longe de poder ser considerado um êxito, não obstante a sua enorme politização e mediatização é, com todo o respeito, um claro sinal de ausência de mobilização da sociedade para esta fracturante matéria. Como referencial, a petição contra a eutanásia do cão Zico ultrapassou as 83.000 assinaturas, enquanto a petição pública recentemente lançada pela Ordem dos Médicos ‘Pelo direito à redução do horário de trabalho […]’ já ultrapassou as 14.600 assinaturas.”
Esta exígua adesão – dez vezes inferior à que se opôs ao abate, ou eutanásia, do cão Zico! – não obstante toda a propaganda política e mediática, explica o nervosismo do Movimento Direito a Morrer com Dignidade em relação a uma eventual consulta popular sobre um tema tão pouco consensual na sociedade portuguesa. Ao que parece, desejariam ver esta questão resolvida pelo parlamento, sem necessidade de nenhum referendo. Mas, como é óbvio, esta causa fracturante ultrapassa as competências dos deputados, não só por ser do foro das consciências, mas também porque excede a legitimidade dos seus mandatos, uma vez que a questão não foi esclarecida na campanha eleitoral que precedeu a sua eleição.
O medo pelo referendo parece evidenciar um fundado receio de que a maioria dos portugueses não esteja, de facto, a favor do que os defensores da eutanásia a todos querem impor. Mas também parece indiciar uma atitude que, na realidade, é antidemocrática. Recorda até o estafado argumento – muito usado pelo Estado Novo e pelo MFA, quando tentou evitar as primeiras eleições livres depois do 25 de Abril – de que a população não estaria preparada para votar uma matéria tão complexa… No seu entendimento, seria mais ajuizado que o parlamento tomasse essa decisão, o que, na realidade, significaria que a maioria de esquerda, ao julgar incompetente o eleitorado, estaria a passar um atestado de menoridade cívica, ou de imbecilidade, a todo o povo português, no melhor estilo do fascismo e do social-fascismo, como se dizia no PREC.
Como não é bonito evidenciar sentimentos tão antidemocráticos, os defensores da eutanásia preferem dizer que “os direitos fundamentais não são referendáveis” e acrescentam, em tom de provocação: “Alguém defende que se referende o direito à vida […]?”
Com efeito, o direito à vida, sendo um direito fundamental, não deveria ser referendado, mas … a verdade é que já o foi, por duas vezes, em Portugal! O facto de se tratar de um direito fundamental não obstou à realização dos dois referendos, em 1998 e 2007, nem obviamente poderá, no futuro, impedir um terceiro, até porque os resultados das duas consultas populares já realizadas foram contraditórios. Note-se que o segundo referendo foi exigido pelos partidários do aborto que, de forma nada democrática, não aceitaram o resultado do primeiro, porque lhes foi desfavorável. Por sinal, são os mesmos que agora dizem que os direitos humanos não são referendáveis …
Têm razão os promotores do Movimento Direito a Morrer com Dignidade, quando dizem que “os direitos fundamentais não são referendáveis”. Assim sendo, o texto constitucional deveria defender o direito fundamental à vida, sem limitações ou restrições, ou seja desde a concepção e até à morte natural, sem também hipótese de se poder referendar o aborto, a eutanásia ou o suicídio assistido. Mas, se se pôde referendar duas vezes o direito à vida dos nascituros, também se pode (se é que não se deve!) fazer o mesmo em relação ao direito à vida dos anciãos e doentes terminais. Pretender aprovar uma tão polémica medida na ‘secretaria’, ou seja sem consultar o eleitorado, seria certamente uma hábil golpada, mas uma indecência do ponto de vista ético e democrático. Para geringonças, já chega a que temos!
Das duas, uma: ou se defende que os direitos fundamentais não são referendáveis e se exige que a Constituição consagre o direito à vida humana, desde o seu começo e até à sua extinção natural; ou então se entende que os direitos fundamentais são referendáveis e, nesse caso, haveria que referendar a eutanásia, como se fez já, por duas vezes, com a ‘interrupção voluntária da gravidez’. O que nenhum democrata poderia jamais aceitar – seja ele partidário da ‘morte assistida’ ou defensor da vida até à morte natural – é a aprovação da eutanásia sem consulta popular!
Os direitos fundamentais devem ser reconhecidos por normas constitucionais não revogáveis, nem referendáveis. Mas, muito pior do que referendar um direito fundamental, seria permitir que, pela eutanásia, se negasse o direito à vida aos mais pobres, velhos e doentes, por arbitrária decisão de uma escassa e ocasional maioria parlamentar!
Fonte: Observador